Esta coisa chamada custo

Vamos falar um pouco sobre custo industrial. Isso apesar de ser uma redundância, precisa ser frisado, pois custo não serve para comércio, e sim para indústria e prestação de serviços.

Mas vamos nos ater ao custo da indústria. Pois bem, apesar da palavra ser bem pequena, a sua abrangência é muito grande. Por mais paradoxal que pareça, custo é relativamente fácil de entender mas sua complexidade é realmente grande, trabalhosa, vamos dizer. Mas, uma vez levantado os dados, daí em diante é somente atualizar.

Porque os profissionais e/ou empresários, por não entenderem o significado real de custo, fazem um verdadeiro quebra cabeças, um artesanato numérico, monstruosas planilhas, e nunca chegam a um resultado correto do valor do custo que precisam.

Confundem alhos com bugalhos, e ficam perdidos num emaranhado de ideias e números. Falam em reajustar o custo da matéria prima, principalmente aquelas atreladas às moedas estrangeiras, para que não reduzam o lucro quando elaboram o preço final de venda e por aí vai. Resumindo, considerando-se a produção de um só tipo de produto, na concepção deles, custo fabril se resume no seguinte:

“Matéria prima + mão de obra + despesas = custo total / quantidade produzida = custo unitário de uma unidade produzida.”

Gente, matéria prima não faz parte do custo de produção. É preciso diferenciar custo de produção e despesas. Despesas não tem nada haver com custo. São coisas completamente diferentes, tanto no conceito quanto na aplicação. Quantas empresas calculam erroneamente seus preços de venda, pela má formação dos seus custos misturados com despesas, e tantos outros conceitos indevidamente relacionados. Entenderam o porque existe um verdadeiro tabu, quando se fala em custo e porque empresas vão bem e outras não?

Portanto, custo é o que se gasta para transformar matéria prima em produto acabado. Ainda não fui claro o suficiente para fazê-lo entender? Visualize comigo. Imagine um galpão, dividido em vários espaços. E em um deles está instalada a administração, em outro o almoxarifado de matérias primas e embalagens, em outro o deposito de produtos acabados e finalmente o espaço onde está instalada a produção. É aí que são gerados os custos diretos e indiretos de fabricação. É neste espaço, que se transforma matéria prima em produto acabado. Este é o espaço chamado “chão de fábrica”. É neste local que se forma o custo do produto, sobre o qual será calculado o preço de venda. Por isso ressalto a importância do cálculo do custo do produto. Este é realmente o índice mais resolutivo de uma indústria, que irá determinar o sucesso ou o fracasso do empreendimento.

Portanto todo e qualquer valor dispendido fora deste espaço, chama-se “despesas de gestão”.

            Quero crer, que agora estou me fazendo entender, que apareceu uma luz no fundo do túnel, e que podemos então concluir que:

(custo direto + custo indireto) = custo de transformação

Custo de transformação + matéria prima + embalagem a preço de custo = custo do produto acabado.

Custo do produto acabado + despesas de gestão + impostos = valor final do produto

Valor final do produto + lucro = preço de venda.

Nota: Eu sublinhei, matéria prima + embalagem a preço de custo, porque a indústria foi constituída para vender mão de obra de transformação, e não para obter lucro na venda de matéria prima e embalagens. Portanto, a indústria não vende nada a não ser mão de obra de transformação, apesar de pagar tributos sobre venda de produtos, quando deveria pagar pela lógica demonstrada acima, imposto sobre serviços de qualquer natureza. Mas isso é outro assunto.

A indústria vende mão de obra de transformação e repõe a matéria prima e embalagem pelo preço de custo.

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